As oficinas do Projeto Rever realizadas em São Paulo, nos dias 23 e 24 de março, reuniram mais de 150 participantes entre gestores, docentes e estudantes de medicina em um espaço marcado pela diversidade de experiências e pela construção coletiva de propostas para a formação médica no país. Com programação dividida entre reflexão teórica e atividades práticas, as oficinas em São Paulo integram a segunda rodada nacional do projeto, que leva as oficinas para diferentes regiões do país. O objetivo é consolidar diretrizes, estimular a troca de experiências e apoiar a implementação de mudanças na formação médica, em diálogo direto com as realidades locais. A próxima cidade a receber o Rever é Manaus, nos dias 30 e 31 de março.
Representando a Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde do Ministério da Saúde (SGTES)/MS, Nicole Geovana reforçou o momento estratégico vivido pela educação médica no Brasil. Segundo ela, as oficinas marcam a transição entre a formulação das diretrizes e sua aplicação prática. “O sonho já começou a se concretizar com a homologação das diretrizes. Agora, o desafio é garantir capilaridade e implementação nas escolas médicas”, disse .
Já Rodrigo Alves Rodrigues, da Secretaria de Ensino Superior do Ministério da Educação (Sesu)/MEC, destacou o papel das oficinas na consolidação das políticas públicas para o setor e chamou atenção para o debate crescente sobre avaliação da formação médica. “Há uma demanda da sociedade por respostas sobre a qualidade do ensino. Iniciativas como o Enamed surgem nesse contexto e ainda precisam ser aperfeiçoadas, mas são parte desse movimento”, afirmou .
Na esfera regional, o diretor da Abem São Paulo, Toufic Anbar Neto destacou a complexidade do cenário paulista, que reúne diferentes modelos de escolas médicas. “Apesar da diversidade, temos muitos problemas em comum — e também soluções em comum. É por isso que espaços como este são fundamentais para o avanço da educação médica”, afirmou .
O diretor vice-presidente da Abem, Estevão Toffoli Rodrigues, destacou o papel estratégico da formação médica para o fortalecimento do sistema de saúde. “Quando a gente fala de formação médica no Brasil, estamos falando de formar profissionais com responsabilidade social, capazes de sustentar e qualificar o sistema de saúde a partir das necessidades da população, por isso nos reunir para pensar a formação médica é tão importante”, afirmou.
A participação estudantil neste processo também foi apontada como central. Bianca Martinho, estudante de medicina da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (Unesp), trouxe a perspectiva dos alunos e ressaltou o caráter histórico do momento. “Estamos em um período determinante, com atualização das diretrizes e implementação de novas políticas. É um cenário que nos preocupa, mas que também nos mobiliza para construir uma formação mais comprometida socialmente”, declarou.
A professora Lorene Pinto, da Universidade Federal da Bahia e integrante da coordenação pedagógica do projeto Formação Médica para o Brasil, enfatizou a importância do processo participativo. “Essa construção coletiva tem a marca do Rever. Tudo o que está sendo produzido é compartilhado e estará disponível para que as escolas possam utilizar no seu cotidiano”, afirmou, destacando o caráter aberto e colaborativo da iniciativa .
Equidade e fases no processo avaliativo dos estudantes também foram debatidos
No encerramento da oficina, Sandro Schreiber, presidente da Abem, destacou a necessidade de aprimorar os processos de avaliação na formação médica. Segundo ele, é preciso garantir “maior consistência e uniformidade nas avaliações, com a participação de comissões especializadas capazes de analisar os relatórios de forma mais ampla e qualificada”.
O representante também chamou atenção para os limites de exames pontuais, como o Enamed, que, embora relevantes, não são suficientes para determinar a qualidade de uma escola médica. Nesse sentido, defendeu a ampliação de modelos de avaliação seriada, como o Teste de Progresso, que acompanham o desenvolvimento dos estudantes ao longo do curso e permitam uma análise mais completa da formação.
Por fim, Schreiber ressaltou a importância de considerar as desigualdades regionais e de acesso que impactam o desempenho dos estudantes, reforçando a necessidade de incorporar o princípio da equidade nos processos avaliativos. “Para a Abem, avançar nesse debate é fundamental para garantir critérios mais justos e eficazes na regulação da educação médica no país”, defende.