A cidade de Curitiba (SUL II) recebeu, nos dias 12 e 13 de março, a segunda oficina da nova rodada do projeto Rever, iniciativa da Associação Brasileira de Educação Médica (Abem), em parceria com a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e os ministérios da Saúde e da Educação, que reúne educadores, estudantes, gestores e representantes institucionais para discutir caminhos para a implementação das novas Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs) da medicina. A próxima cidade a receber a Oficina será Belo Horizonte (MG) nos dias 16 e 17 de março.
A professora Isabel Cristina Coelho, coordenadora docente da regional Sul II da Abem, destacou que a oficina representa uma oportunidade importante para aprofundar o debate sobre a aplicação das diretrizes nos cursos de medicina. Segundo ela, o processo iniciado nas oficinas de 2024 segue agora para uma nova etapa. “Primeiro discutimos a composição e as propostas das diretrizes. Agora estamos avançando para pensar como implantá-las na prática e qualificar cada vez mais a formação docente e nossos estudantes.”
Aristides Palhares, diretor-secretário da Abem, contou que, por meio desse projeto, a entidade buscará influenciar políticas públicas para que a educação médica alcance mais efetivamente os alunos para que seja possível formar médicos melhores ao longo do processo de ensino e aprendizado. “Esperamos juntar toda essa cooperação em uma oficina nacional, que vai acontecer no mês de maio, e apresentar uma versão definitiva desse caderno com as DCNs. Esse caderno será algo vivo, podendo ser alterado a depender das necessidades e das mudanças da sociedade”.
Representando a Secretaria de Educação Superior do Ministério da Educação (MEC), Carolina Albuquerque da Paz destacou a relevância da parceria com a Abem na condução do processo de revisão e implementação das diretrizes.“Estamos priorizando estar presentes nesse momento tão estratégico junto de um parceiro tão importante quanto a Abem, contribuindo para essa transformação curricular”, afirmou. Em sua fala, Carolina também compartilhou sua trajetória pessoal com as DCNs ao longo da carreira.
Já o representante da Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde (SGTES) do Ministério da Saúde, William Fernandes Luna, abordou o papel do Projeto Rever na construção de mudanças na formação em saúde. “O desafio é construir caminhos possíveis para implementar as diretrizes e formar médicos que respondam às necessidades da população brasileira e do SUS.”
A médica psiquiatra Andressa Costa, conselheira do Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR) e diretora do Sindicato dos Médicos do Estado do Paraná (Simepar) também integrou a mesa de abertura e ressaltou a importância do debate sobre formação médica. “Essa discussão não é apenas importante, ela é necessária porque o futuro da medicina está aqui, nessas cabeças pensantes que vão construir os caminhos da profissão”, afirmou.
O diretor vice-presidente da Abem, Estevão Toffoli Rodrigues, apontou a importância da mobilização coletiva para a transformação da educação médica. “Mobilizar pessoas, ideias e afetos é essencial para transformar uma realidade que não é simples. O que nos move é a aposta em um processo coletivo de construção da educação médica.”
Já a estudante Carla Cristina Rodrigues, representante discente da regional Sul II da Abem, ressaltou a importância da participação ativa dos estudantes no processo de construção e implementação das novas diretrizes. “Os estudantes são os atores principais que mais serão impactados pelas novas DCNs. Por isso, é fundamental que participem ativamente de todo o processo, como já vem acontecendo nas oficinas e nas discussões nacionais”, afirmou.
A abertura do encontro foi conduzida pela professora Liliana Santos, da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e integrante da coordenação nacional do Projeto Rever. Ela destacou o caráter coletivo da iniciativa e convidou os presentes a contribuírem para a construção de uma educação médica mais diversa e alinhada às necessidades da população brasileira.