
Nos dias 16 e 17 de março, Belo Horizonte (MG) sediou mais uma etapa das oficinas regionais do Projeto Rever, iniciativa da Associação Brasileira de Educação Médica (Abem) que vem mobilizando instituições de ensino, gestores, estudantes e representantes do poder público em torno da implementação das novas Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs) da medicina. A próxima cidade a receber o projeto Rever será o Rio de Janeiro (RJ), nos dias 19 e 20 de março. A etapa mineira reforça, mais uma vez, o papel da Abem como articuladora de um amplo movimento nacional em defesa de uma formação médica comprometida com as necessidades da população e com o fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS).
O presidente da Abem, Sandro Schreiber destacou a atual fase do Rever. “O Projeto Rever nasce da necessidade de transformar acúmulo em ação. Já produzimos diagnósticos e consensos importantes ao longo dos anos — agora o desafio é avançar na implementação, com qualidade, articulação nacional e compromisso com o SUS.” Já Estevão Toffoli, vice-presidente da entidade, adiantou que o Rever II está em plena construção e o Governo Federal já se comprometeu a pensar em uma nova edição do projeto por sua relevância para a formação das políticas públicas da educação e da saúde.
A atividade mineira reuniu participantes de diferentes regiões e perfis — incluindo representantes de escolas médicas públicas e privadas, entidades executivas e integrantes do governo federal — evidenciando o caráter plural e colaborativo da construção coletiva da educação médica no país. Logo na abertura, Sylvia Batista, integrante do G10 do Projeto Rever, grupo da comissão organizadora, destacou o caráter colaborativo do processo formativo e o desafio de implementação das novas diretrizes. “A implementação das novas diretrizes exige reconhecer que a formação médica não acontece de forma isolada. Ela é atravessada por relações entre instituições, pelo papel do Estado e pelas demandas da sociedade. É nessa construção coletiva, necessariamente plural, que conseguimos produzir mudanças reais.”
Representando a coordenação regional, a diretora Monica Couto ressaltou a importância do encontro para o fortalecimento da educação médica. “Estamos aqui para discutir a implantação das novas DCNs, dividir experiências e construir caminhos. Esse é um tema de extrema relevância, que precisa ser compartilhado para que possamos avançar na educação médica em Minas e no Brasil.”
Samuel Oliveira,representante da Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde do Ministério da Saúde (SGTES/MS), reforçou a relevância histórica do debate. “A integração ensino-serviço-comunidade e a responsabilidade social das escolas médicas são centrais para o que estamos construindo.” Ele também destacou o papel das novas diretrizes e o desafio de sua implementação. “Não basta termos diretrizes bem escritas se elas não se materializam nos territórios. O grande desafio agora é fazer com que elas se concretizem na prática”, entafiza.
Já Carolina Paz, representante do Ministério da Educação (MEC), ressaltou o avanço institucional do debate ao longo dos anos. “É muito significativo acompanhar esse processo em diferentes momentos — como estudante, docente e agora como gestora. As diretrizes evoluíram, e o debate também se fortaleceu institucionalmente.”
O coordenador discente da diretoria da regional, Daniel Negreiros, também membro do Conselho de Administração (CAD) da Abem, reforçou a importância do diálogo entre diferentes atores. “Esse é um espaço fundamental porque permite o diálogo direto entre estudantes, professores e gestores. Não é possível pensar a implementação das diretrizes sem a participação ativa dos estudantes.”