O Projeto Rever realizou, nos dias 19 e 20 de março, no Rio de Janeiro (RJ/ES), mais uma etapa regional das oficinas voltadas à implementação das Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs) de medicina. A diretora da regional RJ/ES da Abem, Aida Regina Monteiro de Assunção, falou sobre o esforço de integração entre os estados e instituições nesta rodada, que conseguiu congregar a presença de pessoas de diferentes faculdades, movimento essencial para a formação médica no Brasil. A próxima cidade a receber o projeto Rever será São Paulo (SP) nos dias 23 e 24 de março.
Na mesma linha de valorização da construção coletiva, Raisa Soares Estevão da Graça, coordenadora discente da regional, destacou o papel dos estudantes como sujeitos ativos desse processo. “Nós somos um dos principais sujeitos das diretrizes curriculares. Construir a implementação junto às escolas médicas é fundamental, porque seremos os médicos formados a partir desse processo”, afirmou, ressaltando ainda a importância da participação estudantil qualificada nos debates sobre formação.
Representando a Abem, o diretor-secretário Aristides Palhares reforçou o caráter amplo e participativo da iniciativa. “Estamos buscando ouvir todos os setores da educação médica, com docentes, discentes, gestores e a própria rede de saúde para construir uma educação médica alinhada às necessidades do país”, explicou. Ele também destacou que o projeto avança agora para uma nova etapa: oferecer instrumentos concretos para a implementação das diretrizes.
Essa transição do debate para a prática foi aprofundada pela coordenadora pedagógica do programa de desenvolvimento de educadores da Abem, Lia Márcia da Silveira, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro, ao apresentar o caderno orientador das DCNs. “O desafio é sair da intenção para o gesto. O caderno não é um manual fechado, mas um instrumento vivo, que precisa ser experimentado na realidade de cada escola”.
Estevão Toffoli Rodrigues, diretor vice-presidente da Abem, contou que, além das experiências vivas das DCNs nas rodadas de oficinas presenciais do Rever, a entidade irá realizar uma série de lives sobre para aprofundamento de temáticas transversais específicas. A ideia é que o conteúdo se desdobre em uma série de cadernos da Abem. “Além disso, vamos abrir vários canais para coleta, sistematização e publicação de conhecimento e divulgação de experiências com as DCNs com números específicos da Revista Brasileira de Educação Médica (RBEM).”
Representantes governamentais e do Cremerj marcaram presença no Rio de Janeiro
Representando a Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde (SGTES) do Ministério da Saúde (MS), a coordenadora-geral de Integração Ensino-Serviço-Comunidade, Emille Sampaio Cordeiro, enfatizou a integração entre as áreas que coordena como eixo estruturante da formação médica. “Precisamos formar dentro do SUS (Sistema Único de Saúde) e para o SUS. Independentemente da natureza da escola, a maioria dos médicos atuará no sistema público e a formação precisa acontecer a partir deste cenário”, afirmou.
Pelo Ministério da Educação (MEC), o coordenador-geral de Residências em Saúde, Paulo Roberto Alves de Pinho, falou sobre o impacto do projeto na construção das novas diretrizes. “O Rever capilarizou o debate e gerou um sentimento de pertencimento às DCNs. Hoje, cada um de nós se reconhece nelas”, afirmou. Para ele, o grande desafio agora é transformar esse acúmulo coletivo em prática concreta. “Passamos do desafio de formular para o desafio de incorporar essas diretrizes na realidade da formação médica”.
Já o representante do Conselho de Secretarias Municipais de Saúde do Estado do Rio de Janeiro (Cosems-RJ), Andre Ferreira Lopes, trouxe para o centro do debate a necessidade de alinhar a formação médica às demandas do sistema de saúde. “É preciso apontar a formação para as necessidades do SUS e da população. As secretarias municipais e estaduais têm papel fundamental na formação, não só as universidades”. Lopes também atua como coordenador do Programa de Residência em Medicina de Família e Comunidade da Secretaria Municipal de Saúde Do Rio de Janeiro.
A discussão sobre qualidade da formação e compromisso social ganhou força na fala de Katia Telles Nogueira, representante do Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro (Cremerj). “A população brasileira precisa de médicos bem formados. Informação, ciência e compromisso são fundamentais para enfrentar os desafios da formação e garantir um cuidado de qualidade”, pontuou, ao defender uma formação baseada em evidências e no diálogo.
Ao encerrar a oficina, a diretora-tesoureira da Abem, Denise Herdy Afonso, reforçou que o projeto entra agora em uma fase ainda mais desafiadora, que é transformar diretrizes em prática concreta nas instituições. “Estamos avançando, mas isso não é livre de desafios. Agora o caminho é permanecer junto, discutindo como transformar essas diretrizes no cotidiano da formação médica”, afirmou.