
A Associação Brasileira de Educação Médica (Abem) realizou, nos dias 9 e 10 de março, em Salvador (BA), a primeira oficina do novo ciclo do Projeto Rever, iniciativa voltada ao fortalecimento da implementação das novas Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs) da graduação em Medicina no Brasil.
O encontro reuniu docentes, gestores e estudantes de cursos de Medicina da região para discutir caminhos para transformar as diretrizes aprovadas em 2025 em práticas concretas nas escolas médicas. A atividade integra uma série de oficinas que serão realizadas nas regionais da entidade entre os meses de março e abril.
Sandro Schreiber, presidente da Abem e coordenador-geral do projeto, destacou a importância da participação coletiva no processo de implementação das diretrizes. “O projeto só acontece porque conseguimos contar com a presença e a participação de cada um de vocês — docentes, gestores, estudantes e toda a comunidade acadêmica. Essa construção coletiva é o que permite ampliar o alcance das discussões e fortalecer a formação médica no país”, afirmou.
Segundo Schreiber, o novo ciclo de oficinas busca ampliar ainda mais o debate iniciado nas etapas anteriores do projeto. “Se temos hoje cerca de 80% de participantes novos em relação ao ano passado, isso mostra que estamos ampliando o interesse e a participação nas discussões sobre a formação médica”, disse.
Implementação das novas diretrizes
Representando a Secretaria de Educação Superior do Ministério da Educação (Sesu/MEC), Rodrigo Alves Rodrigues ressaltou que o governo federal tem acompanhado de perto o processo de revisão e implementação das diretrizes curriculares. Rodrigues também destacou que o debate sobre qualidade da formação médica ocorre em paralelo a outras iniciativas nacionais, como a implementação do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), voltado à avaliação dos cursos. “A ideia é fortalecer a formação médica e construir processos de avaliação que contribuam para melhorar a qualidade das escolas médicas, e não apenas responsabilizar os estudantes”, disse.
Ele lembrou que as discussões realizadas no âmbito do Projeto Rever contribuíram para a construção da nova versão das DCNs, que incorporou temas importantes para a formação médica contemporânea. “A revisão das diretrizes permitiu avançar em pontos importantes, como a atenção às populações vulnerabilizadas e às pessoas neurodivergentes. Agora o desafio é discutir como essas diretrizes serão implementadas na prática nas faculdades”, afirmou.
Da diretriz à prática
Para Nicole Geovana, coordenadora de regulação da educação na Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde do Ministério da Saúde (SGTES/MS), o momento atual representa uma etapa decisiva do projeto. “Temos hoje um documento aprovado, mas ainda precisamos discutir como ele será traduzido na prática. As oficinas são justamente espaços para que as instituições proponham caminhos para implementar as diretrizes em seus territórios”, explicou.
Participação estudantil
Representando o movimento estudantil, Júlio César Batinga, da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) ressaltou o caráter coletivo da construção do projeto. “O Rever tem uma perspectiva muito interessante por ser um processo horizontal, que envolve não apenas gestores e docentes, mas também estudantes e suas entidades representativas”, afirmou. Segundo ele, o debate sobre as diretrizes curriculares é fundamental para que a formação médica esteja alinhada às necessidades da população brasileira e aos princípios do Sistema Único de Saúde (SUS).
Durante o encerramento da atividade, o vice-presidente da Abem, Estevão Toffoli Rodrigues, destacou que iniciativas como as oficinas do projeto não devem se limitar ao momento do encontro. Segundo ele, eventos são importantes para promover troca e mobilização, mas o objetivo maior é que esse movimento se desdobre em práticas cotidianas nas escolas e contribua para transformar a formação médica. Nesse sentido, o projeto busca fortalecer um debate coletivo, baseado em evidências e na experiência acumulada da área, capaz de orientar caminhos para a educação médica no país.
Toffoli também ressaltou que uma das ambições do projeto é influenciar a formulação de políticas públicas, especialmente em um contexto em que a formação de profissionais impacta diretamente o funcionamento do Sistema Único de Saúde (SUS). Para ele, a responsabilidade de orientar a formação médica exige a construção de diretrizes claras e o engajamento das escolas e educadores em todo o país. Por isso, além das oficinas regionais, a iniciativa prevê momentos de consolidação nacional das discussões, com o objetivo de transformar as contribuições coletadas em orientações que apoiem mudanças concretas nos processos formativos.
“Eventos são importantes para promover encontro e troca, mas não podem ser um fim em si mesmos. A potência desse movimento está em levar o debate para o cotidiano das escolas e contribuir para orientar a formação médica no país. Nosso objetivo é justamente fortalecer esse processo coletivo e, a partir dele, influenciar políticas públicas que qualifiquem a formação dos profissionais que atuam no SUS”, enfatiza.
Próximas oficinas
A oficina de Salvador marcou o início do segundo ciclo de encontros do Projeto Rever. Curitiba (SUL II) é a próxima cidade a receber o evento, nos dias 12 e 13 de março.
A expectativa da organização é que as oficinas ampliem o diálogo entre instituições, contribuindo para transformar as orientações das DCNs em práticas concretas de formação médica.
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