Brasília encerra ciclo das oficinas regionais do Rever 2026 e explicita desafios da implementação das DCNs

A última oficina do Projeto Rever foi realizada na Regional Centro-Oeste, em Brasília, nos dias 13 e 14 de abril. A edição marcou o fechamento da segunda rodada de encontros, totalizando nove oficinas desde seu início, em março, em Salvador. O Rever na capital federal reforçou que o principal desafio, agora, é garantir que as Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs) da medicina avancem da formulação para a prática, o que exige mais do que mudanças formais, pois implica transformar a cultura institucional das escolas médicas, incluindo a forma como se ensina, se avalia e se forma profissionais, de modo a responder às necessidades da população.

Durante a abertura, Elizabeth Guedes, presidente da Confederação Nacional dos Estabelecimentos de Ensino (Confenen) e conselheira do Conselho Nacional de Educação (CNE), afirmou que a implementação das DCNs exige mudança na cultura institucional das escolas médicas. “Não basta mudar o projeto pedagógico, é preciso mudar a cultura institucional”.

Participando em nome do secretário de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde (SGETS), Felipe Proenço, a coordenadora-geral de Integração Ensino-Serviço-Comunidade no Ministério da Saúde (MS), Emille Sampaio Cordeiro, destacou o processo colaborativo que a Abem coordenou nos últimos dois anos com o Rever. “Agora nós temos uma crescente de participação e construção coletiva para implementar as DCNs e, principalmente, fazer com que a educação médica possa construir cada vez mais a formação dos médicos que nós somos e que seremos, voltada para as necessidades de saúde do povo brasileiro, respondendo a todos os desafios do século XXI”.

Destacando os desafios futuros das DCNs, a coordenadora-geral de Expansão e Gestão da Educação em Saúde na Secretaria de Educação Superior (Sesu/MEC), Carolina Albuquerque da Paz, ressaltou a importância de pensar e discutir a realidade da implementação das diretrizes pensando nas particularidades de cada território. “Eu sou professora do curso de medicina na Universidade Federal de Pernambuco, do campus do Agreste, estou lá desde 2014 implementando as DCNs no território de Caruaru, e agora estou aqui no MEC. Por meio de perspectivas diferentes vamos aprofundar as discussões para que a gente possa ver a real transformação da educação médica no Brasil”.

Ainda sobre a implantação das DCNs, o diretor regional Centro-Oeste da Abem, José Eduardo Baroneza, destacou que um dos principais desafios das novas diretrizes é a avaliação programática. Ele trouxe a necessidade de dialogar sobre as práticas anteriores e pensar numa avaliação que vá muito além dos conteúdos e que possibilite analisar atitudes e habilidades dentro de uma perspectiva global, pensando na realidade daquele local.

As discussões sobre avaliação ganharam aprofundamento ao longo da oficina. O professor da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP) e membro do G10 do Projeto Rever, Valdes Roberto Bollela, destacou a importância da avaliação programática como um dos avanços das novas diretrizes. “A gente precisa ter avaliações que foquem em conhecimento, habilidades e atitudes usando diferentes instrumentos avaliativos”, explicou. 

A mesa de abertura contou com a participação de José Eduardo Baroneza, diretor regional Centro-Oeste da associação; Sandro Schreiber de Oliveira, presidente da Abem; Elizabeth Guedes, presidente da Confederação Nacional dos Estabelecimentos de Ensino (Confenen) e conselheira do Conselho Nacional de Educação (CNE); Emille Sampaio Cordeiro, coordenadora-geral de Integração Ensino-Serviço-Comunidade no Ministério da Saúde; e Carolina Albuquerque da Paz, coordenadora-geral de Expansão e Gestão da Educação em Saúde na Secretaria de Educação Superior (Sesu/MEC). 

Parcerias e continuidade

O Projeto Rever é fruto da parceria entre a Abem, a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), a Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde (SGTES) do Ministério da Saúde e o Ministério da Educação (MEC).

Nos dias 5 e 6 de maio, em Brasília, será realizada a Oficina Nacional do Projeto Rever, que deve consolidar os resultados desta etapa e apresentar o caderno final de apoio à implementação das DCNs.

Formação médica no centro do debate

Em um contexto de crescente debate público sobre a qualidade da formação médica no Brasil, o Projeto Rever se consolida como um espaço estratégico de articulação nacional. A experiência das oficinas reforça que o desafio agora é garantir a implementação efetiva das diretrizes, com impacto real na formação e no cuidado em saúde.

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