Projeto Rever em Porto Alegre debate avaliação e estratégias de inclusão e permanência na formação médica

 Inclusão e permanência de estudantes e sistemas de avaliação ganharam destaque durante a oficina do Projeto Rever na regional Sul I, em Porto Alegre, que debateu as novas Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs) de medicina. A atividade aconteceu nos dias 9 e 10 de abril, organizada pela Associação Brasileira de Educação Médica (Abem), a fim de construir um espaço coletivo entre representantes da educação médica, como estudantes e gestores públicos, docentes e preceptores para discutir a  formação médica no país.

Durante os dois dias de oficinas, tópicos como os desafios relacionados aos sistemas de avaliação e a inclusão e permanência, não só dos estudantes, mas também dos docentes e da preceptoria, foram amplamente debatidos. O coordenador e docente da residência de medicina de família e comunidade (MFC) na Universidade Católica de Pelotas (UCPel), Alexandre Teixeira, em entrevista à Abem, destacou a melhoria na estruturação do Projeto Pedagógico do Curso (PPC), de forma que atenda às demandas de todos os atores envolvidos, desde a gestão da escola médica, transpasse pelos núcleos de gestão participativa e chegue até o aluno e o professor. 

O diretor regional e presidente do 64º Congresso Brasileiro de Educação Médica (Cobem), Francisco Arsego, exaltou o espírito de integração que vem caracterizando as oficinas. Em entrevista, ele destacou a importância da responsabilidade social que apresentam as DCNs. “O tema da responsabilidade social é relativamente novo no nosso meio, mas em outros países já está muito mais avançado. A gente sabe que a medicina é uma parte do atendimento à saúde, mas não é o todo. Os desastres naturais e a emergência climática são motivadores para que nos preocupemos com responsabilidade social.”

No encerramento, a diretora-tesoureira da Abem, Denise Herdy, pontuou políticas afirmativas, e ressaltou que o país ainda não é inclusivo como deveria ser, mas o debate é de extrema importância para que juntos possamos construir mudanças significativas. “As diretrizes trazem a necessidade de um olhar cuidadoso, geral das escolas, com atenção ao respeito pela privacidade desses sujeitos, e um suporte, claro, sem dúvida aos docentes, que diante das situações, não sabem, não foram ensinados, e precisam aprender”.

A oficina em Porto Alegre integra o ciclo nacional de encontros do Projeto Rever, que vem mobilizando diferentes regiões do país na construção de propostas para qualificar a formação médica brasileira. A última oficina deste ciclo acontece em Brasília, nos dias 13 e 14 de abril. 

Oficina Rever em Porto Alegre reforça o papel coletivo na construção das DCNs

A cerimônia de abertura contou com a participação do presidente da Abem, Sandro Schreiber; do diretor regional sul, Francisco Jorge Arsego de Oliveira; da coordenadora discente, Ana Clara Sevá; de Aristóteles Homero dos Santos Cardona Junior, diretor de desenvolvimento da educação em saúde na Secretaria de Educação Superior (Sesu) do Ministério da Educação (MEC); da coordenadora-geral de integração ensino-serviço-comunidade do Ministério da Saúde (MS), Emille Sampaio Cordeiro; e de Teresinha Valduga Cardoso, diretora da Escola de Saúde Pública da Secretaria de Estado da Saúde do Rio Grande do Sul (SES/RS).

Em sua fala, Sandro Schreiber destacou a importância de construir coletivamente as diretrizes que desenharão o ensino de medicina no país. “Tem sido extremamente enriquecedor participar das oficinas e ver o empenho de cada participante em colaborar com as diretrizes. É também gratificante estar atuando estar inserido neste momento de mudança para a educação médica”, afirmou. Schreiber ainda reforçou os próximos passos do Projeto Rever e a importância de transformar diagnósticos em ação. “O desafio é tirar as propostas do papel e construir, coletivamente, os caminhos para a educação médica que queremos”, afirmou.

Representando o Ministério da Saúde, Emille Sampaio Cordeiro ressaltou o papel das políticas públicas na qualificação da formação médica. “Estamos formando para cuidar do povo brasileiro e isso exige qualidade na formação e responsabilidade com o sistema de saúde”, defendeu. Já Aristóteles Cardona, do Ministério da Educação, reforçou a importância da articulação institucional. “Vocês podem contar com absoluta e integral apoio do Ministério da Educação para todo e qualquer trabalho que fortaleça a formação em saúde no país”, destacou.

A estudante Ana Clara Sevá enfatizou o papel dos discentes no processo formativo. “A educação não é feita por uma pessoa. O conhecimento é construído em conjunto, em uma troca entre discentes e docentes. Se queremos planejar uma educação de qualidade, precisamos participar destes espaços de articulação e tomada de decisão”, pontuou.

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