O 15º Congresso Catarinense e Paranaense de Educação Médica (CCPEM) reuniu docentes, estudantes, gestores, residentes e preceptores para discutir os principais desafios da formação diante da implementação das Diretrizes Curriculares CN 2025 e das transformações em curso na educação em saúde. Promovido pela Regional Sul II da Associação Brasileira de Educação Médica (Abem) e com realização em Toledo (PR), o evento consolidou-se como espaço de troca de experiências e construção coletiva entre instituições do Paraná e de Santa Catarina, fortalecendo o debate sobre currículo por competências, avaliação programática, protagonismo estudantil, saúde mental, responsabilidade social e compromisso com o Sistema Único de Saúde (SUS).
Para o presidente discente do congresso, João Victor Alves da Silva, esta edição do CCPEM assume um papel estratégico justamente por ocorrer após a publicação das DCN 2025, momento em que as escolas médicas precisam transformar em prática os debates acumulados nos últimos anos no âmbito do Projeto Rever. “Desde 2024, vínhamos discutindo, propondo e construindo coletivamente caminhos para a implementação dessas diretrizes. Agora, temos um documento mais detalhado e concreto. O congresso surge justamente para auxiliar as escolas a compreenderem essas mudanças e pensarem como implementá-las na prática”, afirmou.
Segundo Silva, o evento também reforça a importância da participação estudantil nos espaços de construção da educação médica. Para ele, os estudantes passaram a ocupar um lugar mais ativo nos debates sobre currículo, avaliação e formação profissional, especialmente porque são diretamente impactados pelas decisões tomadas dentro das instituições. “Todas as mudanças afetam diretamente a qualidade do médico que está sendo formado. Por isso, é fundamental que os estudantes participem dessas discussões junto com docentes, gestores e coordenadores de curso. O docente não existe sem o discente e o discente não existe sem o docente. A formação médica precisa ser construída de forma conjunta”, destacou.
Questionado sobre os pontos que considera mais inovadores das DCN, Silva destacou as políticas de permanência estudantil, o apoio psicopedagógico e a inclusão. “As novas diretrizes trazem uma preocupação muito importante com saúde mental, permanência estudantil e responsabilidade social. Elas passam a nomear populações historicamente invisibilizadas, como indígenas, quilombolas, pessoas em situação de rua e população LGBTQIA+. Isso aproxima o estudante da realidade da população que ele vai atender no SUS”, ressaltou.
A diretora da Regional Sul II da Abem, professora Izabel Cristina Meister Coelho, destacou que a formação médica atravessa um período de mudanças profundas, impulsionado tanto pelas novas diretrizes quanto pelas transformações sociais, tecnológicas e do próprio mundo do trabalho em saúde. “As necessidades da população mudaram, o trabalho em saúde mudou, novas tecnologias vêm sendo incorporadas rapidamente e o próprio mercado de trabalho médico já não é o mesmo de alguns anos atrás. Isso exige que as escolas médicas repensem seus currículos e suas formas de ensinar para formar profissionais mais preparados para a realidade que vão encontrar”, afirmou.
Para Izabel, um dos principais diferenciais desta edição do CCPEM foi justamente ampliar a participação regional e aproximar instituições que ainda estavam distantes dos debates conduzidos pela Abem sobre implementação da DCN e regulação da formação médica. “Percebemos que ainda existem muitas dúvidas e diferentes compreensões sobre essas mudanças, o que é natural diante da velocidade com que a educação médica vem se transformando. Por isso, fortalecer espaços permanentes de diálogo e apoio entre os cursos é fundamental”, destacou.
A professora também ressaltou que encontros como o CCPEM cumprem um papel importante na construção de redes de pertencimento e colaboração entre os participantes. “As pessoas começam a se reconhecer em quem compartilha do mesmo compromisso com a educação médica. Quem já está mais envolvido inspira quem está começando a participar agora. Isso fortalece a comunidade da educação médica e aproxima as pessoas da Abem”, afirmou.
O professor Edivan Rodrigo de Paula Ramos, membro da Comissão de Infraestrutura e Logística do congresso, ressaltou que a publicação das DCN 2025 tornou ainda mais urgente a necessidade de aprofundar os debates sobre formação médica em diferentes regiões do país. “Temas como currículo por competências, avaliação programática, protagonismo estudantil e inovação no processo de ensino-aprendizagem passaram a ocupar um lugar central nas discussões do congresso, justamente pela necessidade de transformá-las em mudanças concretas dentro das escolas médicas”, afirma.
As discussões sobre implementação da DCN 2025, avaliação programática e fortalecimento das escolas médicas também apareceram nas falas da presidente docente do congresso, Lívia Piechnik e de Alessandra Carla de Almeida Ribeiro, diretora de Inovação da Abem, que destacaram a continuidade do trabalho iniciado no Projeto Rever e a importância de ampliar a circulação dessas discussões entre as instituições da região Sul.
Para a Lívia, o congresso funciona como um espaço de consolidação dos debates iniciados nacionalmente pela Abem e, ao mesmo tempo, de adaptação dessas reflexões às realidades locais das escolas médicas do Paraná e de Santa Catarina. “Estar no CCPEM é uma oportunidade de fortalecer tudo aquilo que foi construído no Projeto Rever. Quando reunimos gestores, docentes e discentes em uma discussão coletiva, o processo se torna mais participativo e as trocas de experiências fortalecem as escolas médicas. O congresso também permite discutir desafios muito concretos, como curricularização da extensão, avaliação das escolas médicas e os novos processos regulatórios ligados ao ENAMED e à implementação da DCN 2025”, afirmou.
Já Alessandra destacou que o congresso cumpre um papel estratégico na “capilarização” das diretrizes curriculares nacionais e na construção coletiva de soluções para os desafios enfrentados pelas instituições na implementação das mudanças previstas na nova DCN. “O CCPEM cria um espaço fundamental para que docentes, gestores e estudantes compartilhem experiências e construam soluções conjuntas para temas centrais da implementação das diretrizes. Estamos falando de avaliação programática, programas de mentoria, criação do Núcleo de Apoio Pedagógico e Experiência Docente, mudanças no internato, constituição de comissões de avaliação e das próprias áreas verdes previstas nas diretrizes. São mudanças complexas, que exigem diálogo permanente entre as instituições”, ressaltou.