
A Associação Brasileira de Educação Médica (Abem) participou da conferência da Association of Medical Schools in Africa (AMSAfrica), realizada na Nigéria, um dos principais encontros internacionais voltados à formação médica no continente africano. A presença da entidade integra um movimento de retomada do protagonismo brasileiro nos debates mundiais sobre educação médica e fortalece a articulação com países do Sul Global, agrupamento geopolítico e socioeconômico de nações em desenvolvimento, majoritariamente localizadas no hemisfério sul e que inclui China e Índia.
A participação da Abem ocorre em um contexto em que o Brasil busca reposicionar sua atuação internacional, tendo em vista que temos um dos sistemas públicos de saúde mais complexos em termos de número de atendimento e especificidades. “Esse movimento passa pelo fortalecimento de alianças com países que compartilham desafios estruturais semelhantes, como desigualdades regionais, limitações de financiamento e necessidade de formação de profissionais alinhados às demandas sociais”, afirma o diretor vice-presidente da Abem, Estevão Toffoli.
Nesse cenário, a articulação com países africanos ganha centralidade. Assim como o Brasil, muitos desses países enfrentam impactos históricos e contemporâneos de processos de dependência econômica, científica e tecnológica, o que se reflete também nos modelos de formação em saúde. “A aproximação permite a troca de experiências baseadas em contextos reais e a construção de soluções mais adequadas às necessidades locais”, defende Rodrigues.
Para o vice-presidente da entidade, a participação no encontro representa um passo importante na representatividade mundial. “A Abem tem buscado se recolocar no cenário global da educação médica, entendendo que o Brasil possui dimensão, relevância geopolítica e capacidade de produção de conhecimento que justificam uma atuação mais ativa nesses espaços”, afirma o diretor.
O vice-presidente também defende que a agenda dialoga com debates contemporâneos sobre justiça global na saúde, “incluindo questões como a migração de profissionais, a desigualdade na distribuição de recursos e os impactos da formação médica nos sistemas nacionais de saúde. A Nigéria, por exemplo, forma médicos que acabam migrando para países desenvolvidos. É um desafio para eles a retenção e atuação destes profissionais no país”.
A presença da Abem na conferência da AMSAfrica reforça, portanto, não apenas o compromisso da entidade com a qualificação da educação médica, mas também com a construção de uma atuação internacional mais autônoma, diversa e alinhada às necessidades dos países do Sul Global.
O evento reuniu lideranças acadêmicas, estudantes, representantes institucionais e dirigentes de organizações internacionais em um momento estratégico de reorganização da cooperação global na área. A conferência também marca a intensificação dos espaços internacionais de articulação, ampliando oportunidades de diálogo, troca de experiências e construção conjunta entre diferentes realidades e sistemas de saúde.