Regional Sul II

Mensagem da Diretoria

A proposta para 2025–2026 surgiu de um planejamento em oficinas da Abem e tinha como principal objetivo ampliar a presença da Abem Regional Sul II das escolas médicas do Paraná e de Santa Catarina. Com esse olhar, percebemos que as escolas do interior tinham menos acesso à eventos e encontros. Além disso, em um período de mudanças importantes para a educação médica brasileira, especialmente com a publicação das Diretrizes Curriculares Nacionais de 2025 e a implantação do Enamed, as ações da Regional buscaram oferecer espaços de orientação, de diálogo, qualificação e colaboração entre instituições, docentes, gestores e estudantes.

Contexto

O planejamento da gestão foi orientado por três prioridades: interiorizar as ações da Regional, fortalecer redes de colaboração entre escolas médicas e ampliar a participação de docentes e estudantes nas discussões sobre educação médica.

Principais ações realizadas:

a) Interiorização das ações

Realização da Oficina Regional em Joinville e do XV CCPEM em Toledo, ampliando o acesso às atividades da Abem e aproximando instituições que tradicionalmente participavam pouco da Associação.

Desde o início da gestão percebíamos que boa parte das escolas do interior participava pouco das atividades da Associação. Não porque faltasse interesse, mas acesso. Por isso, optamos por inverter a lógica tradicional. Ao invés de esperar que as pessoas viessem até as capitais, decidimos levar a Abem até elas.

Mais importante do que o que foi discutido, foi perceber que novas pessoas passaram a se reconhecer como parte da comunidade da Abem.

b) Oficinas Regionais

A oficina realizada em Joinville foi a primeira experiência mais clara desse movimento, com o apoio da Univille e do professor Reberti. Ao longo do encontro ficou evidente que muitos participantes estavam tendo seu primeiro contato com a Associação e com discussões estruturadas sobre educação médica. 30% dos participantes eram estudantes que mostraram uma grande surpresa por saber que discutimos profundamente a educação e os problemas que eles próprios identificaram em sua formação. Além disso, eles se sentiram muito felizes por poderem participar da construção de propostas.

A oficina realizada em Maringá, sediada na Unicesumar e apoiada pela Professora Ana Maria foi um importante espaço de escuta e construção coletiva. Reuniu docentes, gestores e estudantes de diferentes instituições, e permitiu identificar desafios comuns enfrentados pelas escolas médicas e discutir temas que, poucos meses depois, se tornariam centrais para toda a educação médica brasileira.

As atividades abordaram questões relacionadas à saúde mental de estudantes, docentes e gestores, discutindo o impacto das condições de formação e trabalho sobre o processo de ensino-aprendizagem e reforçando a necessidade de construir ambientes acadêmicos mais saudáveis e acolhedores. Também foram promovidas discussões sobre a integração entre o ciclo básico e o ciclo clínico, reconhecida como um dos principais desafios para a implementação de currículos integrados e orientados por competências.

Outro eixo importante foi o Teste de Progresso, apresentado como ferramenta de acompanhamento longitudinal da aprendizagem e de apoio ao planejamento curricular das escolas médicas. As discussões permitiram compartilhar experiências entre instituições com diferentes níveis de maturidade na utilização dessa estratégia avaliativa, favorecendo a troca de soluções e boas práticas.

c) XV CCPEM – Toledo

A realização do XV Congresso Catarinense e Paranaense de Educação Médica constituiu uma das principais ações da gestão 2025–2026.

Originalmente previsto para maio de 2027, o evento foi antecipado em razão das mudanças no cenário da educação médica brasileira decorrentes da publicação das Diretrizes Curriculares Nacionais para os cursos de Medicina (2025) e da implantação do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed).

A Diretoria Regional compreendeu que esse novo contexto exigia uma resposta rápida da Abem. As escolas médicas buscavam referências para compreender as mudanças regulatórias, discutir seus impactos e compartilhar estratégias para a adequação de currículos, processos avaliativos e modelos de gestão acadêmica. Assim, optou-se por antecipar o congresso.

Mantendo a estratégia de interiorização iniciada com a Oficina Regional de Joinville, o congresso foi realizado nos dias 15 e 16 de maio, no município de Toledo (PR), tendo como sede a Universidade Federal do Paraná – Campus Toledo.

O evento registrou 180 inscrições, com 142 participantes presenciais, reunindo docentes, estudantes, coordenadores de curso e gestores de diferentes instituições do Paraná e de Santa Catarina. Contou com o apoio de seis escolas médicas, sendo cinco delas localizadas na região Noroeste do Paraná, além da participação de instituições da capital paranaense e de diversas escolas catarinenses. Esse movimento confirmou que a descentralização dos eventos favorece a aproximação de novos públicos e amplia o alcance das ações da Associação.

Outro indicador importante foi a produção científica apresentada durante o congresso. Foram 80 trabalhos aprovados, contemplando experiências relacionadas à inovação curricular, metodologias de ensino, avaliação da aprendizagem, extensão universitária, integração ensino-serviço, gestão acadêmica e desenvolvimento docente.

A programação científica foi estruturada a partir de um processo de escuta das escolas médicas. Além de responder às demandas impostas pelas novas Diretrizes Curriculares Nacionais e pelo Enamed, a definição dos temas considerou enquetes realizadas previamente com coordenadores, docentes e participantes da Regional, permitindo que o congresso abordasse questões diretamente relacionadas às necessidades vivenciadas pelas instituições.

Como resultado, a programação privilegiou temas de grande relevância para o momento atual da educação médica, entre eles:

  • implementação das Diretrizes Curriculares Nacionais de 2025;
  • impactos do Enamed na organização dos cursos de Medicina;
  • o Teste de progresso como modelo de avaliação de desempenho;
  • currículo baseado em competências e desenvolvimento de competências profissionais;
  • avaliação programática e construção de programas de avaliação longitudinal;
  • desenvolvimento docente diante das transformações curriculares;
  • protagonismo estudantil e participação discente nos processos institucionais;
  • inovação pedagógica e uso de metodologias ativas;
  • gestão acadêmica em tempos de mudanças regulatórias

A realização do congresso somente foi possível graças ao trabalho conjunto da Diretoria Regional, da comissão organizadora local, da Universidade Federal do Paraná – Campus Toledo. A dedicação dos acadêmicos foi determinante para o acolhimento dos participantes, organização dos espaços, apoio às apresentações científicas, credenciamento, logística das atividades e suporte aos palestrantes. O comprometimento demonstrado ao longo dos dois dias de evento refletiu o espírito colaborativo que caracteriza a Abem e contribuiu para o sucesso do congresso.

d) Fórum Permanente de Coordenadores

Um momento importante do congresso foi a reativação do Fórum Permanente de Coordenadores de Cursos de Medicina da Regional Sul II, que reuniu representantes de mais de 20 escolas médicas. O encontro permitiu retomar um espaço permanente de diálogo entre coordenadores, favorecendo a discussão de problemas comuns, a troca de experiências e a construção de uma agenda colaborativa para os próximos anos.

A realização do congresso somente foi possível graças ao trabalho conjunto da Diretoria Regional, da comissão organizadora local, da Universidade Federal do Paraná – Campus Toledo. A dedicação dos acadêmicos foi determinante para o acolhimento dos participantes, organização dos espaços, apoio às apresentações científicas, credenciamento, logística das atividades e suporte aos palestrantes. O comprometimento demonstrado ao longo dos dois dias de evento refletiu o espírito colaborativo que caracteriza a Abem e contribuiu para o sucesso do congresso.

e) Protagonismo discente

Integração das ações da Coordenação Discente, participação nas oficinas, no CCPEM e no Projeto Rever, além da aproximação com representantes estudantis. Nas oficinas de Joinville e Maringá, assim como no CCPEM, os estudantes participaram das discussões sobre saúde mental, integração curricular, Teste de Progresso, novas Diretrizes Curriculares e exames nacionais não apenas como ouvintes, mas como participantes ativos dos debates.

Outro aspecto importante foi a atuação da Coordenação Discente na presidência estudantil do XV CCPEM, conduzindo espaços deliberativos em um momento particularmente sensível para a educação médica brasileira.

Também merece destaque a aproximação entre estudantes vinculados à IFMSA Brasil e à Denem. Embora não tenham sido estabelecidas parcerias formais, a convivência durante os eventos mostrou que diferentes organizações estudantis podem dialogar e colaborar quando o objetivo comum é qualificar a formação médica.

Ao final da gestão, ficou claro que aproximar estudantes da Abem significa formar futuras lideranças para a própria Associação.

f) Resultados observados

  • Ampliação da participação de escolas médicas do interior.
  • Aproximação de novos docentes e gestores às ações da Abem.
  • Fortalecimento da participação estudantil.
  • Consolidação da interiorização como estratégia permanente da Regional.
  • Criação de novos vínculos institucionais e fortalecimento da colaboração entre escolas.

A principal contribuição desta gestão foi fortalecer uma rede regional de colaboração em educação médica. Buscou-se criar espaços permanentes de diálogo, aproximar pessoas, compartilhar experiências e apoiar as escolas diante dos desafios atuais da formação médica.

g) Agenda estratégica para 2026–2028

A continuidade desse trabalho deverá concentrar esforços na consolidação de uma comunidade regional de aprendizagem, estruturada em ações permanentes e colaborativas.

  • Fortalecer o papel dos delegados regionais como articuladores locais.
  • Criar Comunidades de Prática em temas estratégicos (internato, currículo por competências, avaliação programática, Enamed, desenvolvimento docente, simulação, pesquisa e inteligência artificial).
  • Estabelecer calendário permanente de encontros virtuais e presenciais.
  • Ampliar a participação de residentes e estudantes nas atividades da Regional.
  • Fortalecer a comunicação institucional e a produção compartilhada de materiais.

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