Abem amplia diálogo internacional e fortalece presença brasileira na agenda mundial da educação médica

Parcerias com Maastricht, retorno à Fepafem, interlocução com a WFME e a AMEE e aproximação com a China marcam o ano. O Brasil se prepara para receber congressos  internacionais 

Ao longo de 2026, a Associação Brasileira de Educação Médica (Abem) ampliou sua presença internacional e estreitou relações com instituições, redes e especialistas de diferentes países. O objetivo é fortalecer a troca de experiências, construir projetos conjuntos e ampliar a participação brasileira nos espaços em que se discutem os rumos da educação médica no mundo. 

A aproximação com organizações das Américas, da África, da Europa e de outras regiões teve um de seus momentos mais visíveis no 64º Congresso Brasileiro de Educação Médica (Cobem), realizado em setembro, em Porto Alegre. O encontro reuniu especialistas internacionais em debates sobre avaliação, responsabilidade social, formação orientada pelas necessidades dos sistemas de saúde e outros desafios comuns a diferentes países. 

Para o presidente da Abem, Estevão Toffoli Rodrigues, a presença de convidados estrangeiros no 64º Cobem é fruto de uma articulação que a Associação vem reforçando. “A presença de diversos palestrantes internacionais no Cobem está em sintonia com o processo de internacionalização que a Abem tem construído. Esse processo envolve várias expectativas, mas talvez a mais fundamental seja colocar a Abem, com mais segurança e clareza, no centro da agenda mundial da educação médica. E não apenas em termos políticos e acadêmicos, mas também técnicos e de produção intelectual”, afirma.

Parcerias para aprender e construir juntos 

Entre as aproximações que avançaram em 2026 está o diálogo com especialistas da Universidade de Maastricht, nos Países Baixos, referência internacional em avaliação para a aprendizagem na educação médica. Um dos focos da parceria é a Avaliação Programática, que a Abem considera estratégica para apoiar as transformações previstas nas Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN). 

Antes do 64º Cobem, especialistas de Maastricht e representantes da Abem participaram, em Porto Alegre, de um workshop sobre Teste de Progresso e Avaliação Programática. O encontro colocou em diálogo a experiência acumulada no Brasil com o Teste de Progresso e o conhecimento produzido internacionalmente sobre avaliação da aprendizagem. 

Parte dessa discussão chegou também ao Congresso. Cees van der Vleuten, Joyce Grull e Liesbeth Baartman estiveram entre os convidados internacionais e participaram de atividades sobre avaliação e formação por competências. Estevão destaca a relação entre esse debate e o momento vivido pelas escolas médicas brasileiras com a implantação das novas DCN. “Temos nos aproximado fortemente do grupo da Holanda para desenvolver a avaliação programática como eixo que articula todas as mudanças necessárias à implantação das Diretrizes Curriculares Nacionais de 2025”, explica 

O intercâmbio também permite que conhecimentos produzidos em contextos diferentes se encontrem. Durante o Cobem, Liesbeth Baartman ressaltou o potencial dessa construção conjunta. “Nosso intercâmbio pode funcionar muito bem, ampliando a troca de experiências em educação médica e avaliação programática e, ao mesmo tempo, permitindo aprender com a experiência brasileira”, afirmou. 

Abem retoma articulação nas Américas 

Outro passo importante foi a reaproximação com a Federação Pan-Americana de Associações de Faculdades e Escolas de Medicina (Fepafem/Pafams). A Abem voltou a se associar à entidade após cerca de 12 anos de afastamento. A retomada abre uma nova frente de cooperação com instituições do continente e amplia as possibilidades de atuação conjunta. 

“A parceria com a Fepafem traz uma expectativa imensa de participação, em especial na América Latina, mas pensando em todas as Américas”, explica Estevão. Ele cita diferentes frentes possíveis:

  • intercâmbio acadêmico e de profissionais;
  • produção de Testes de Progresso coletivos e, eventualmente, compartilhamento de bancos de questões; 
  • produção intelectual conjunta;
  • ações políticas mais concretas;
  • participação nos congressos da região;
  • construção de instrumentos comuns.

A Abem também vem estreitando o diálogo com a World Federation for Medical Education (WFME). O presidente da entidade, Ricardo León-Bórquez, participou do 64º Cobem. A Associação mantém interlocução com a organização para ampliar a participação brasileira nas discussões internacionais sobre formação médica. A relação com a AMEE, hoje denominada Associação Internacional de Educação para as Profissões da Saúde, também ganhou um novo capítulo em 2026. A professora Eliana Amaral, diretora da Regional São Paulo da Abem, foi nomeada para o comitê de gestão da organização. Ela é a primeira brasileira e latino-americana a integrar o grupo. Em mandato de três anos, participará das decisões sobre o congresso mundial da entidade e sobre projetos de formação docente. 

Das parcerias aos novos encontros no Brasil 

As articulações internacionais já abrem caminho para que o Brasil receba encontros internacionais de educação médica e formação em saúde. Em setembro de 2027, Recife sediará o congresso da rede The Network: Towards Unity for Health (TUFH). A Abem participa da realização do encontro em parceria com a Faculdade Pernambucana de Saúde (FPS), a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e a própria rede internacional. A Abem também trabalha para que o Brasil receba, em 2028, a Conferência Mundial de Educação Médica, promovida pela WFME. “Temos uma expectativa muito grande de trazer o evento para o Brasil em 2028. Ainda não está confirmado, mas há um processo de negociação muito acelerado”, adianta o presidente da Abem. 

A agenda de internacionalização avançou ainda com a articulação Brasil–China. Representantes da Abem reuniram-se com a cônsul-geral da República Popular da China em Recife, Lan Heping, para discutir possibilidades de cooperação entre instituições médicas dos dois países. Participaram do encontro o presidente da Abem, Estevão Toffoli Rodrigues, e o presidente da gestão 2024–2026, Sandro Schreiber. A pauta foi a promoção de intercâmbios e a troca de experiências na formação médica, com perspectivas de fortalecer as relações acadêmicas e institucionais entre os dois países.  

Mais do que ampliar a presença da Associação em eventos no exterior, a estratégia de internacionalização busca criar relações permanentes. A meta é transformar essas conexões em oportunidades para a comunidade da educação médica brasileira. “Essa aproximação já tem gerado resultados concretos, com o desenvolvimento de pesquisas, parcerias, instrumentos e a qualificação do debate nacional”, afirma Estevão.

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