Entre os dias 18 e 20 de março, Ribeirão Preto (SP) sediou o 14º Congresso Paulista de Educação Médica (CPEM), que reuniu mais de 600 congressistas de mais de 40 escolas médicas para discutir temas de relevância para a formação em medicina no Brasil.
Para o diretor regional da Abem São Paulo, Toufic Anbar Neto, o congresso cumpriu um papel estratégico ao promover um espaço qualificado de debate. “Nesta edição, estamos focados em discutir as Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN), bem como a sua implementação, além de aprofundarmos o debate sobre o Exame Nacional da Medicina, antigo Enade, no Estado que é desafiador pela quantidade de escolas médicas e por sua abrangência”, destacou.
Aristides Palhares, diretor-secretário da Abem, enfatizou o peso da regional paulista no cenário nacional e a importância da presença institucional da entidade. “A região é uma das maiores da Abem e tem uma grande densidade de escolas médicas. Estarmos reunidos num evento dessa magnitude para discutir os assuntos de educação médica é muito importante, e a Abem Nacional faz questão de acompanhar esse processo”, afirmou.
A importância histórica do CPEM foi lembrada, já na abertura do evento, por Nildo Alves Baptista, ex-presidente da Abem e idealizador do congresso. Ele resgatou a origem da iniciativa, destacando o papel da professora Regina Stella, primeira mulher presidente da Abem que conduziu a entidade de 1998 a 2002, na transformação do que era apenas uma reunião regional em um evento estruturado. Segundo Baptista, o evento percorreu diferentes instituições ao longo dos anos, consolidando-se como um espaço potente da educação médica paulista. “Anos depois das primeiras edições, estar aqui hoje renova minha alegria em compor esse espaço tão importante”, completou.
A presidente do 14º CPEM, Carla Campos Petean, chamou atenção para um dos principais desafios da formação médica atual: a integração entre ensino e serviço. “Quando falamos desse perfil, dessa necessidade de integrarmos os nossos cursos de medicina dentro de cenários do Sistema Único de Saúde (SUS), isso exige a organização de oportunidades de aprendizagem que garantam aos estudantes acesso aos diferentes níveis de atenção”, explicou.
Ela também destacou a importância de políticas que assegurem a permanência dos estudantes e futuros profissionais em regiões fora dos grandes centros. “Não basta apenas abrir escolas médicas. É necessário pensar em políticas que garantam que esses estudantes permaneçam e possam, de fato, contribuir com o desenvolvimento das regiões onde se formam”, completou.
Representando o corpo discente do congresso, João Vitor Veloso Simão, reforçou a importância da construção coletiva no processo formativo. “Os alunos esperam cumplicidade das instituições, abertura ao diálogo e participação ativa na construção dos cursos. A formação médica é um organismo vivo, que precisa ser construída de forma compartilhada para garantir resultados reais para a população”, defende.
A programação também contou com aula magna de Silvio Pessanha Neto, CEO do Instituto de Educação Médica (IDOMED) e membro do G13 da Abem, que abordou o tema “Das DCN ao novo instrumento de avaliação do Inep”. Pessanha destacou o papel dos congressos regionais como espaços privilegiados de troca e aprofundamento. “Um grande valor dos congressos regionais é o fato de que as pessoas têm mais tempo para interagir, trocar e compartilhar boas práticas, e é o que já estamos vendo acontecer desde o primeiro dia com debates muito aprofundados e de muita troca entre os participantes”, afirmou ao parabenizar a organização do evento.
Do ponto de vista das políticas públicas, o diretor de programa da Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde, Rodrigo Cariri, destacou o papel da Abem na construção das Diretrizes Curriculares Nacionais. “A Abem foi fundamental para estabelecer os parâmetros de avaliação dos cursos e para a construção das diretrizes atuais, oferecendo uma base científica muito potente para o debate sobre avaliação e proficiência na medicina no país”, afirmou. Ele também ressaltou a participação estudantil no congresso. “Fiquei muito feliz em ver a representação estudantil com tanto empenho, qualidade e compromisso”, acrescentou.
Já o presidente da comissão científica do CPEM, Felipe Colombelli Pacca, enfatizou a evolução da integração entre ensino, pesquisa e extensão na educação médica. “Existe um tripé na educação que precisamos considerar, e cada vez mais ele tem se mostrado coeso dentro do congresso. Antes, víamos espaços muito separados; hoje há uma integração maior, e a Abem tem um papel importante nesse processo na educação médica do Brasil”, avaliou.
Com uma programação voltada ao fortalecimento das DCN e à troca de experiências entre instituições, o 14º CPEM reafirmou o compromisso da comunidade acadêmica com uma formação médica de qualidade, alinhada às necessidades do Sistema Único de Saúde e da sociedade brasileira.