Encontro reuniu especialistas da Maastricht University e representantes da Abem para discutir Teste de Progresso, Avaliação Programática e novas estratégias para promover a aprendizagem
Como transformar a avaliação em uma ferramenta que acompanhe e contribua para a aprendizagem dos estudantes ao longo de toda a formação médica? A questão esteve no centro do Workshop sobre Avaliação Programática e Teste de Progresso, realizado nos dias 13 e 14 de setembro, em São Paulo. O encontro antecedeu o 64º Congresso Brasileiro de Educação Médica (Cobem) e reuniu especialistas da Maastricht University que também participaram da programação do Congresso.
Ministrado por membros da School of Health Professions Education (SHE), da Maastricht University, dos Países Baixos, o workshop promoveu dois dias de atividades e troca de experiências com representantes da Abem sobre diferentes formas de avaliar e acompanhar o desenvolvimento dos estudantes. Participaram como especialistas Joyce Grul, Cees van der Vleuten e Liesbeth Baartman, que também estiveram presentes no 64º Cobem.
Para o diretor-presidente da Abem, Estevão Toffoli Rodrigues, o encontro permitiu aproveitar a presença dos especialistas no Brasil para aprofundar uma interlocução que vem sendo construída pela Associação com experiências internacionais em educação médica. “Temos acumulado uma experiência importante no Brasil com o Teste de Progresso e, ao mesmo tempo, ampliado nosso processo de internacionalização nos últimos dois anos. A proposta foi criar um espaço mais amplo para colocar essas experiências em diálogo, trocar ideias e pensar juntos os próximos passos e as possibilidades para o futuro”, afirma.
A programação começou com uma discussão sobre a passagem de um modelo centrado no ensino para outro voltado à promoção da aprendizagem, com atividades sobre os fundamentos e a aplicação prática de abordagens centradas no estudante. No segundo dia, o foco esteve na ciência da avaliação, especialmente no Teste de Progresso e na Avaliação Programática.
Um dos especialistas convidados, o professor Cees van der Vleuten, destacou o potencial da colaboração entre diferentes instituições e países para o desenvolvimento da educação médica. “O que sempre me impressiona é o quanto temos em comum e o quanto podemos ajudar uns aos outros. Para mim, essa possibilidade de compartilhar experiências e aprender conjuntamente sempre foi uma grande motivação para trabalhar com educação”, destaca.
Ao abordar o Teste de Progresso, os participantes discutiram seu uso como instrumento longitudinal, capaz de acompanhar o desenvolvimento dos estudantes, identificar lacunas de aprendizagem e produzir informações que possam orientar tanto o estudante quanto os próprios programas de formação. A programação também propôs uma reflexão sobre as possibilidades de utilização do modelo no contexto brasileiro.
Coordenador técnico do Teste de Progresso da Abem, Leandro Tuzin avalia que a interlocução com a equipe de Maastricht permitiu também olhar para a experiência já construída no país e para novas possibilidades de desenvolvimento. “Foram dois dias de muita aprendizagem sobre avaliação, Teste de Progresso e, especialmente, Avaliação Programática. Essa troca nos permite reconhecer e validar experiências que já desenvolvemos no Brasil e, ao mesmo tempo, enxergar novos desafios e possibilidades para avançarmos na forma como acompanhamos a formação dos estudantes”, afirma.
Outro eixo do workshop foi a Avaliação Programática, abordagem que articula diferentes instrumentos de avaliação ao currículo e aos objetivos de aprendizagem. Entre os princípios discutidos estiveram a combinação de múltiplas ferramentas, o uso de cada momento avaliativo como oportunidade de orientação e desenvolvimento e a tomada de decisões com base em um conjunto de informações acumuladas ao longo do tempo.
Especialista no tema, Liesbeth Baartman, professora associada da Maastricht University, ressaltou que o encontro também permitiu colocar lado a lado experiências desenvolvidas em contextos distintos. Sua atuação acadêmica é voltada à avaliação da competência profissional, com ênfase em Avaliação Programática, aprendizagem no ambiente de trabalho, avaliação para a aprendizagem e feedback. “Foi uma experiência muito rica trabalhar com as pessoas da Abem, compartilhar o que temos desenvolvido, conhecer e aprender com as experiências daqui. Tivemos atividades muito interessantes sobre Teste de Progresso e Avaliação Programática, em uma troca em que todos puderam aprender uns com os outros”, afirma.
A expectativa é que as discussões realizadas durante o workshop contribuam para aprofundar o debate sobre avaliação na educação médica brasileira e subsidiem novas ações relacionadas ao Teste de Progresso e à Avaliação Programática, fortalecendo estratégias que utilizem a avaliação não apenas para medir resultados, mas também como parte do próprio processo de aprendizagem.