Implementação das novas Diretrizes Curriculares Nacionais, aproximação entre escolas, fortalecimento da residência médica, formação docente e atenção às diferentes realidades do país estão entre as prioridades
As novas diretorias regionais da Associação Brasileira de Educação Médica (Abem) iniciam a gestão 2026-2028 com o desafio de aproximar instituições, docentes, estudantes e residentes e, ao mesmo tempo, responder às transformações em curso na formação médica brasileira. A implementação das novas Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN), os processos de avaliação, a formação docente, a residência médica e o fortalecimento da responsabilidade social aparecem entre as prioridades para os próximos anos.
Eleitas durante o 64º Congresso Brasileiro de Educação Médica (Cobem), realizado em Porto Alegre, as diretorias assumem também o compromisso de traduzir essas agendas para as diferentes realidades do país. A proposta é fortalecer as regionais como espaços de articulação entre as escolas e de construção coletiva de respostas para necessidades que variam conforme os territórios.
Na Regional Centro-Oeste, José Eduardo Baroneza destaca a continuidade da articulação entre escolas, gestores, estudantes e docentes, com foco na ampliação dos projetos da regional e na troca de experiências sobre educação médica. “Queremos continuar expandindo a atuação da regional, articulando escolas, gestores, estudantes e docentes e incentivando projetos de extensão universitária, pesquisa e educação médica, como o Chá de Educação Médica. Também vamos trabalhar para a realização do nosso Congresso Regional, em 2028, em Campo Grande, e fortalecer o protagonismo de estudantes e docentes, ampliando os espaços de diálogo e troca de experiências”, afirma Baroneza.
A aproximação com as escolas também orienta os primeiros passos da Regional Minas Gerais. Mônica Couto Guedas Sejanes da Rocha iniciou a gestão ouvindo as instituições sobre suas necessidades e pretende organizar atividades em diferentes formatos, além de um congresso regional previsto para maio. “Conversamos com as escolas da nossa região e pedimos que encaminhem suas demandas e necessidades, seja de oficinas, aulas on-line ou outras modalidades em que a Regional possa atuar. Queremos também realizar eventos menores, facilitando a participação de mais escolas de Minas Gerais”, explica Mônica.
Articulação regional e compromisso social
No Nordeste I, a continuidade dos encontros regionais é uma das estratégias para ampliar essa articulação. Depois de realizar atividades em Vitória da Conquista e Aracaju, a Regional já planeja seu próximo encontro e começa também a preparação para receber o Cobem em Salvador, em 2028. Para Humberto de Castro Lima Filho, esses espaços permitem reunir diferentes integrantes da comunidade acadêmica e manter a formação conectada às necessidades sociais e à defesa do SUS. “A educação médica existe para atender às necessidades de saúde da nossa população. Isso é responsabilidade social e justiça social. Temos muito a nos orgulhar do SUS, que é também uma escola, e precisamos reforçar sua defesa como grande eixo estruturante da formação dos profissionais da saúde no nosso país”, ressalta Humberto.
Na Regional Nordeste II, Isabel Brandão Correia aposta na construção de uma comunidade de práticas entre as instituições. A primeira reunião da nova gestão já resultou na proposta de elaboração conjunta de um plano de ações.“Queremos criar uma comunidade de práticas que possibilite às escolas trocar experiências e identificar suas fragilidades e potencialidades. A formação médica precisa responder às necessidades de saúde da população e estar comprometida com a transformação da sociedade”, afirma Isabel.
Na Região Norte, as distâncias, a interiorização dos cursos de medicina e a complexidade dos deslocamentos e dos cenários de prática dão contornos próprios à atuação da Regional. Cybelle Cristina Pereira Rodrigues pretende dar continuidade ao trabalho realizado na gestão anterior, apoiar o Projeto Rever II e auxiliar estudantes, gestores e demais atores envolvidos na formação médica durante a implementação das novas DCN. A realização do Congresso Regional Norte de 2027 em Santarém (PA) integra o movimento para além das capitais. “Pelos desafios das distâncias e da implementação de cursos de Medicina no interior, é muito importante que a Regional apoie estudantes, gestores e todas as pessoas que fazem a educação médica no Norte. Realizar o Congresso Regional em Santarém é também uma forma de interiorizar e mostrar a realidade da educação médica em outros municípios”, explica Cybelle.
Graduação, residência e novos desafios da formação
A necessidade de construir maior integração entre diferentes momentos da formação aparece entre as prioridades da Regional Rio de Janeiro/Espírito Santo. André Ferreira de Abreu Junior aponta ainda a implementação das DCN, o Enamed, a avaliação programática e os cenários de prática como temas que exigirão reflexão nos próximos anos. “A gente não pode esquecer que educação médica é também residência médica. Precisamos trazer a residência para essa discussão, com uma reflexão mais integrada entre graduação e residência, e fortalecer a presença da Abem junto às escolas e instituições para transformar a educação médica brasileira”, afirma André.
Em São Paulo, Eliana Martorano Amaral destaca que as escolas atravessam um período de mudanças provocado pela implantação das DCN de 2025 e pelo novo cenário de avaliação. Nesse contexto, a Regional pretende apoiar as instituições e contribuir para a preparação de docentes e estudantes. “Nosso objetivo é preparar e apoiar o corpo docente e discente para termos cursos de Medicina de qualidade no estado de São Paulo. Temos recursos, mas precisamos nos unir para tirar o melhor proveito das oportunidades que as escolas podem oferecer”, afirma Eliana.
Na Regional Sul I, Maria Eugênia Bresolini Pinto coloca entre as prioridades a formação docente e uma participação mais integrada de professores, estudantes e residentes nas discussões sobre os currículos. A intenção é ampliar a aproximação entre as escolas diante do processo de implementação das DCN. “Temos uma participação importante dos estudantes e queremos ampliar também a presença dos docentes, reunindo esses grupos e os residentes. Se conseguirmos fazer com que gestores e docentes atendam às necessidades dos alunos, vamos formar profissionais mais fortes para o nosso Sistema Único de Saúde”, afirma Maria Eugênia.
A residência médica terá atenção especial na Regional Sul II. Para Lívia Sissi Gonçalves Souza, é necessário aproximar mais as discussões da pós-graduação das transformações que já vêm ocorrendo na graduação, incluindo formação por competências e avaliação programática. “Entendemos que precisamos trabalhar a residência e trazer os mesmos conceitos que estamos discutindo na graduação, como competências e avaliação programática. Esse é um caminho que devemos enfatizar neste início de gestão”, destaca Lívia.
Regionais como espaços de troca e construção coletiva
Apesar das particularidades de cada território, as expectativas dos novos diretores convergem na importância de aproximar pessoas e instituições e ampliar a circulação de experiências entre as escolas. Essa articulação ganha ainda mais relevância diante de mudanças que atingem todo o país, mas precisam ser implementadas considerando as diferentes condições e necessidades locais.
Para as diretorias regionais, o novo ciclo também amplia a oportunidade de levar às instituições as discussões construídas nacionalmente pela Abem e, no caminho inverso, fazer com que demandas, experiências e soluções desenvolvidas nos territórios contribuam para a agenda nacional da educação médica.
Diretorias regionais da Abem – gestão 2026-2028
Diretor Regional Centro-Oeste: José Eduardo Baroneza (UnB)
Diretora Regional Minas Gerais: Mônica Couto Guedas Sejanes da Rocha (Suprema)
Diretor Regional Nordeste I: Humberto de Castro Lima Filho (Escola Bahiana)
Diretora Regional Nordeste II: Isabel Brandão Correia (UFPE)
Diretora Regional Norte: Cybelle Cristina Pereira Rodrigues (Cesupa/UFPA)
Diretor Regional RJ/ES: André Ferreira de Abreu Junior (PRMFC/SMS-RJ)
Diretora Regional São Paulo: Eliana Martorano Amaral (Unicamp)
Diretora Regional Sul I: Maria Eugênia Bresolini Pinto (UFCSPA)
Diretora Regional Sul II: Lívia Sissi Gonçalves Souza (FPP)